terça-feira, 14 de abril de 2009

Crescei e multiplicai-vos?

Vai parecer blábláblá, pois aí vem a batida discussão: você é contra ou a favor do uso da camisinha? Eis a questão. Há um texto interessante de Drauzio Varella sobre a polêmica gerada em função da declaração de um padre a favor do uso de preservativo. Leia aqui. O papa Bento XVI representa a autoridade máxima da Igreja Católica e todos aqueles que estão abaixo dele, ainda que bispos e cardeais, logicamente não podem ir de encontro ao mandamento papal do “não usai camisinha”.
A questão é: pare e pense. Que tal olhar para as pessoas ao nosso redor? Se o papa é contra e alguns padres a favor, nós mesmos a favor ou contra o uso da camisinha, essa não deveria ser a grande questão. Hoje, as pessoas já não pautam tanto seus comportamentos pelo que diz a bíblia ou o papa. O problema é que também não estão se pautando em nada. Paramos de pensar antes de agir, de olhar para o outro, cuidar da gente mesmo. Uma vez que a gente encarasse o sexo sempre dentro de um contexto que fizesse sentido para nós mesmos, que nos fizesse bem, que significasse algo, ainda que puro prazer, mas sempre vendo o outro na história, não teria erro!
Não parece absurda essa discussão do tipo “vamos lembrar que o sexo acontece entre seres humanos”? Mas não é. Basta refletir um pouquinho sobre isso e agir seguindo essa premissa tão básica, que a vontade de cuidar de si mesmo e por conseqüência do outro a quem você vai entregar sua intimidade acaba acontecendo naturalmente. Ainda que pareça cafona ou romântico, a sexualidade precisa ser humanizada, ainda que por uma questão de saúde pública. Tudo bem: “crescei e multiplicai-vos” remete ao sexo depois do casamento e filhos, mas “amai-vos uns aos outros” remete a quê?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Procura-se um amigo?

Tem uma frase do Vinícius de Moraes que diz: Procura-se uma amigo, que se comova, quando chamado de amigo. Você já pensou até que ponto um ser humano se deixa afetar pelo comportamento animal e está deixando de lado as relações humanas? Talvez ajude ler em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI12436-15220,00-FIQUE+TRANQUILO+A+BALEIA+PENSA+POR+VOCE.html) uma notícia sobre o tema. Vendo pessoas buscando sentido para sua existência na relação com animais domésticos ou adestrados, se espelhando no modo e “filosofia” de vida do mundo animal, não se escapa à pergunta: dá pra entender esse comportamento, o que se passa com a gente afinal? Interagir com uma pessoa igual a você parece estar sendo mais complicado do que se comunicar, demonstrar afeto e trocar vivências com bichinhos. Tratar bicho como gente não é acontecimento raro de se ver. Infelizmente, o contrário também é verdadeiro. Nada contra levantar bandeiras envolvendo os animais e abusos cometidos por aí, até porque somos os únicos seres com consciência crítica para fazê-lo, mas sem perder de vista as causas humanas. Chega de maniqueísmo, onde uma coisa exclui a outra, é ou isso ou aquilo e aprender a ver o mundo como ele é: um grande fenômeno, complexo, onde tudo se relaciona. Em pleno século 21, só pensando assim, podemos unir os interesses, protestar e reinvindicar com mais força e propriedade.